Especularidade, reciprocidade e complementariedade

O referencial teórico ao qual está baseada a terapia fonoaudiológica de linguagem é a perspectiva sócio-interacionista que utiliza como norteador o pensamento de Vygotsky (2003). Segundo essa concepção, é sempre pela interação social que se dá a aquisição da linguagem, na qual as brincadeiras ocupam uma função relevante para a criança adquirir o domínio da linguagem visto que a brincadeira é compreendida como uma das primeiras atividades sociais da criança. É por meio do brincar mediado que a criança aprende níveis mais complexos de comunicação.

Dentro dessa atividade há uma estimulação direcionada aos processos dialógicos que permeiam a aquisição e o desenvolvimento da linguagem. Que são especularidade, complementariedade e reciprocidade.

A especularidade é um processo iniciado pelo adulto ao imitar as vocalizações da criança dando significado e intenção. Quando um bebê faz “mamama” e o adulto repete “mamãe, que lindo! falou mamãe”. A seguir, a própria criança imita a vocalização procurando o sentido já colocado. Ou seja, neste contexto “mama” quer dizer mamãe. Logo as primeiras palavrinhas da criança advêm deste processo recíproco.

A complementariedade também é um processo iniciado pelo adulto que ao complementar a fala da criança, insere novos elementos e torna o discurso inicial maior.  Em seguida, é a criança quem complementa o enunciado do adulto e deste processo originam-se as primeiras combinações de palavras.

Exemplo:

criança : – “abul” (“azul” – sugerindo -)

adulto: – Vamos brincar com o carro azul.

criança: – É “abul”. (concordando)

adulto: – O carro azul é o mais legal!

criança: – “Caô abul feo” (“carro azul é feio” – discordando -)

O processo de reciprocidade é caracterizado pela capacidade da criança em assumir os papéis dialógicos que antes eram tomados pelo adulto. Através deste processo, a criança constrói um diálogo com o adulto, considerando-o como interlocutor.

Muitos adultos ao brincar ou quando tentam estabelecer um diálogo com uma criança, usam de questionamentos repetitivos. Como por exemplo: “quer brincar de boneca?” ou “quer o carro verde?”. Dessa forma é mais difícil estabelecer uma linha comunicativa. O adulto acaba “falando sozinho”.

Pensando por esse lado é necessário ouvir a criança e esperar o tempo de resposta para estabelecer um diálogo. Em casa, um bom exercício de reflexão é observar se o diálogo é baseado em perguntas ou se há especularidade, complementaridade e reciprocidade.

 

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