Modelagem Óssea – Parte 2

Derrotação femural

O Fêmur do bebê, nasce com uma antetorção femoral, que é o estado de estar torcido de forma que quando o Eixo transcondilar (ETC) está alinhado no plano frontal, o eixo da cabeça e colo do femoral está em direção anterior, com a maior parte da cabeça para frente.

 

Ao longo do desenvolvimento essa antetorção passa de aproximadamente 45 graus, ao nascimento, até chegar a 15 graus no adulto, sendo uma média de 15 a 25 graus de mudança nos primeiros 8 anos de vida. Essa antetorção vai acontecendo através das forças que geram uma distensão, que é a deformação que um corpo sofre devido a uma carga externa.

O movimento que leva a redução da torção no bebê com alinhamento normal de membros inferiores é o de rotação externa com extensão do quadril com descarga de peso sobre o membro.

Essa carga externa se inicia quando o bebê começa ficar de prono e é intensificada pelos movimentos em quatro apoios como o engatinhar recíproco, a escalada, mas é na hora que a criança começa a andar, através do torque gerado na perna de apoio, na hora que ela avança o membro contralateral a frente que esse trabalho se intensifica. A “fase de ouro” para a torção do fêmur é até os dois anos pois nesse período o osso ainda é muito mole, devido a quantidade de água que ele tem, e é a fase que o bebê típico está repetindo todos esses movimentos milhares e milhares de vezes por dia.

Nas crianças com desenvolvimento atípico, a incidência dessas forças é muito menor o que acaba não gerando o processo de derrotação femural. Muitas crianças mais velhas com rotação interna de membros inferiores não fizeram a derrotação do fêmur e tem uma alteração óssea em RI.

 

A partir dos 7 anos de idade o ETC já é semelhante ao do adulto que é de 15 graus e o osso também quase não sofre mais modificações.

Enquanto as crianças são pequenas podemos favorecer essa torção através de atividades como a escalada em diversas superfícies como escorrega, parede de escalada, espaldar, a marcha na esteira, que pode ser com apoio de um membro fora da esteira, para que a criança efetivamente consiga projetar o membro em balanço para frente e ser capaz de gerar o torque, treino de marcha no andador. Também podemos usar sistemas de rotação para alinhar o ETC no plano frontal como o uso de faixas da fabrifoan, tog right,  theratogs, exoesqueleto do Treini, veste do therasuit.

 

 

Porém cuidado! Antes de usar um sistema de rotação para alinhar o ETC no plano frontal em crianças com paralisia cerebral, ou outras patologias, com mais de 4 anos, use o gráfico de Tonnis et al, 1991 de medidas de torção femural e tenha certeza se esse fêmur ainda pode ser levado para o plano frontal, pois dependendo da idade da criança e do quanto ela tem de antetorção femural os sistemas de alinhamento podem forçar a cabeça do fêmur para uma angulação maior que 15 graus e isso gerar lesões na cartilagem do quadril e também do joelho levando a osteoartrite, segundo Takai S, Sakakida K, et al 1985.

 

Quando não é mais possível influenciar a torção com cargas externas e o alinhamento do fêmur ainda se mantém em rotação interna, existe a possibilidade de se realizar procedimentos cirúrgicos de osteotomia de derrotação femural. Nesse estágio é indicado procurar um ortopedista!

Maria Clara Costa de Farias, Fisioterapeuta

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