Fisioterapia Aquática

fisioterapia-aquatica

Conhecida também como hidroterapia. Você sabia que a Fisioterapia Aquática é tão antiga quanto a história da humanidade?

A utilização da água como forma terapêutica e meio de cura, vem de muito antes da era de Cristo. Hipócrates já utilizava o recurso para pacientes com doenças reumáticas, neurológicas, icterícia, assim como tratamento de imersão para espasmos musculares e doenças articulares.

Com o passar dos anos, a Hidroterapia, palavra derivada do grego, tem por finalidade o tratamento ou cura através da água. É renomeado pouco a pouco de acordo com sua utilização, mas não é um método novo de tratamento.

No contexto da reabilitação, o termo Fisioterapia Aquática vem crescendo a cada dia, pois é a terapia de reabilitação física que se utiliza através de exercícios físicos, manuseios e técnicas específicas fundamentadas, associadas às propriedades físicas da água e aos efeitos que o corpo sofre no meio líquido, tendo como objetivos promover ganhos funcionais que possam ser transferidos para o solo.

A fisioterapia aquática é uma modalidade que utiliza as propriedades hidrodinâmicas para facilitar ou resistir determinados movimentos, além de estabilizar ou desestabilizar o paciente em imersão, isso irá depender dos objetivos funcionais e específicos determinados em solo e ambiente aquático para atingir a meta funcional.

O tratamento é direcionado para que ocorra o que chamamos de transferência positiva, isto quer dizer, que as habilidades funcionais treinadas e adquiridas no meio líquido possam aprimorar o desempenho da função no ambiente natural, onde existem forças gravitacionais que demandam um comportamento motor diferente.

A fisioterapia aquática proporciona um ambiente lúdico, prazeroso e eficaz, capaz de proporcionar aos pacientes experiências sensório-motoras que em alguns casos não são possíveis em solo.

Beneficiamo-nos do meio líquido através das propriedades físicas da água sendo alguns deles, o empuxo, do qual podemos utilizá-lo como facilitador do controle cervical, e atividades motoras como o rolar. Além de ativações musculares específicas direcionadas de acordo com cada objetivo.

A pressão hidrostática, turbulência, o empuxo e a viscosidade, são os princípios físicos mais envolvidos na estimulação sensorial do paciente, uma vez que o meio líquido tem um efeito positivo na percepção corporal, facilitando os ajustes tônicos necessários para o treino das etapas motoras e treino de equilíbrio estático e dinâmico.

A temperatura da água deve ser aquecida. O fato de a piscina terapêutica ser aquecida favorece a redução do espasmo muscular, facilitando a melhora da adequação do tônus e diminuição da dor, permitindo mobilizações articulares em maiores amplitudes.

Conseguindo mobilizar melhor as articulações, se beneficiando dos efeitos que o corpo sofre em imersão, seja através de técnicas específicas ou da hidrocinesioterapia, favorecemos a melhora da resposta e posicionamento do paciente.

O corpo imerso sofre diversos efeitos fisiológicos e variam de acordo com a temperatura da água, propriedades físicas, a duração do tratamento e a intensidade dos exercícios. Outro fator importante é que as reações fisiológicas podem ser modificadas pelas condições da doença de cada paciente.

Por isso é de extrema importância para o profissional fisioterapeuta a compreensão dos princípios físicos da água, os efeitos fisiológicos que o corpo sofrem em imersão, a análise do movimento humano e biomecânica, assim como a fisiologia e fisiopatologia da doença para a elaboração dos objetivos terapêuticos quando se trabalha com a fisioterapia aquática.

Podemos obter diversos ganhos funcionais com a utilização da fisioterapia aquática como: Redução do espasmo muscular e das dores, diminuição da fadiga muscular, prevenção de deformidades e atrofias, aumento ou manutenção das amplitudes de movimentos, diminuição do impacto e a descarga de peso sobre as articulações, melhora da flexibilidade, trabalho de coordenação motora global, da agilidade e do ritmo, melhora e adequação do tônus, favorecendo relaxamento, facilitação de etapas motoras assim como treino de ortostatismo e da marcha, melhora do condicionamento físico, melhora da resistência e da força muscular, melhora nas trocas gasosas, reeducação respiratória, estimulação do equilíbrio estático e dinâmico, a noção de esquema corporal, a propriocepção e a noção espacial, entre outros de acordo com cada patologia.

Algumas Técnicas utilizadas dentro da Fisioterapia Aquática são:

Halliwick:

O Conceito Halliwick foi desenvolvido por James McMillan em 1949, como um método de natação para crianças com paralisia cerebral. Com o passar dos anos o método passou a servir como um instrumento de natação para a população seja ela deficiente ou não.

Tem como objetivo proporcionar o mais alto nível de independência, especialmente com relação às habilidades funcionais em solo e ambiente aquático.

O Halliwick é muito utilizado como fundamento para programas de reabilitação aquática para adultos e crianças, provê fundamentos em todas as áreas da reabilitação aquática, com importância especial na neurologia e pediatria.

Bad Ragaz:

Desenvolvido em Bad Ragaz na Suíça, o Conceito Bad Ragaz é uma técnica de tratamento na horizontal, utilizando padrões de movimentos e as propriedades físicas da água. Utiliza padrões de movimentos em diagonal espiral, similar ao Kabat (FNP).

Tem como objetivos melhora da mobilidade, fortalecimento, equilíbrio muscular e coordenação, com enfoque na estabilização do tronco e articulações proximais.

Utilizado como forma de tratamento em pacientes que apresentam habilidade funcional limitada, devido à dor, fraqueza muscular, diminuição da amplitude de movimento ou hipertonicidade.

Colabora na preparação das habilidades funcionais como marcha, transferências, atividades de vida diária, entre outras.

Watsu:

O Watsu foi desenvolvido por Harold Dull em 1980, como uma forma passiva de terapia aquática, onde o paciente é apoiado e movido suavemente, através da água morna em movimentos contínuos e cordiais.

Promove efeitos profundos no sistema neuromuscular, beneficiando os pacientes com uma variedade ampla de alterações neurológicas, ortopédicas e reumáticas.

São observados diversos efeitos e ganhos funcionais, pois o Watsu diminui a tensão muscular e aumenta a amplitude de movimento, promove alongamento muscular suave em todas as articulações, assim como a melhora do tônus e diminuição dos espasmos musculares.

Hidrocinesioterapia:

A hidrocinesioterapia constitui um conjunto de técnicas terapêuticas fundamentadas no movimento humano. É a fisioterapia na água ou a prática de exercícios terapêuticos em piscinas, associada ou não aos manuseios, manipulações, configurada em programas de tratamento específicos para cada paciente.

Avaliação

Uma avaliação criteriosa do paciente é realizada, acrescida de informações sobre a sua experiência com a água, imersão e domínio ou não de nados. O exame físico, a análise dos exames complementares e a avaliação dos movimentos funcionais são indispensáveis para se estabelecer os objetivos do tratamento e prognóstico idealizado, para posteriormente, serem determinados os procedimentos hidrocinesioterapêuticos.

A primeira sessão do paciente na água visa complementar a avaliação convencional, a fim de observar sua adaptação e habilidades no meio líquido, densidade corporal e flutuabilidade, bem como o seu comportamento na piscina.

As entradas e saídas do paciente na piscina são diferenciadas entre pacientes que deambulam e os que não deambulam, bem como os procedimentos utilizados para a adaptação do indivíduo ao meio líquido.

Todo o programa e execução do tratamento são personalizados, específicos para cada paciente e fisiopatologia.

Pacientes e patologias que se beneficiam da Fisioterapia Aquática na área da neuropediatria são:

Atraso no Desenvolvimento Neuropsicomotor, Paralisia Cerebral, Lesões Encefálicas adquiridas na infância, como AVE, TCE, Lesão Medular, Malformações Congênitas, Doenças Neuromusculares, Mielomeningocele, TEA (Transtorno do Espectro Autista), Pré e Pós Operatórios de Cirurgias Ortopédicas.

Contra-indicações Absolutas para a Fisioterapia Aquática:

Febre, infecção urinária, escaras ou feridas abertas e infectadas, otite, micose cutânea, coronáriopatias graves, insuficiência respiratória grave, doenças infecciosas, sensitividades a produtos químicos como (cloro, bromina), pressão arterial elevada, náusea e vômito, queimaduras graves.